olá eu sou Maria Fortuna e esse é o Conversa Vai Conversa Vem Vocast do Jornal Globo aqui no estúdio da redação a gente recebe sempre um convidado para trocar ideia fazer revelações e abrir o coração milton Cunha Camila Pitanga Fábia Assunção Juliana Paz Carmo da Laveca e muitos outros já tiveram aqui em episódios que você pode assistir no YouTube do Globo hoje quem me dá a honra da presença é a atriz Thaísa Aracujo que está completando 30 anos de carreira e é nada menos do que a protagonista do remake da novela Vale Tudo que estreia hoje obrigada Thaís por arrumar um tempo aqui para conversar com a gente ai eu que agradeço tá corrido mesmo ah mas eu queria muito ver aqui hoje por exemplo a Thaís grava né até meia-noite até meia-noite vamos começar então com Vale Tudo você é Raquel protagonista da novela Um papel icônico de uma mulher batalhadora digna né que tem a dignidade assim como norte eh luta para criar a filha Maria de Fátima conta um pouquinho como é que é a sua Raquel o que que você usou para compor o que que você se inspirou olha a minha Raquel eu queria muito que ela fosse aquela mulher que a gente enxergasse e reconhecesse essa mulher que tá na base da pirâmide do Brasil que é a mulher que tá no corre uma mãe solo cria a filha sozinha abdica muitas vezes no caso da Raquel abdicou quase 100% da vida dela pessoal para se dedicar à criação dessa menina eh abdicar no sentido de não não terminou os estudos não se formou não trabalha no que realmente ama mas mas consegue amar o que faz e que apesar desse corre todo apesar de toda a adversidade ela ousa ser feliz ela é feliz ela é alegre ela ela é uma mulher para frente ela é uma mulher que não fica vivendo as dores do passado tem as dores que ela não sofre não não ignore não ela vai sofre e tá qual é o próximo passo tá para onde a gente vai e essa é a realidade da maioria do povo brasileiro né inspiração concreta numeres é são as mulheres brasileiras as mulheres negras desse país sabe que estão aí tá mesmo na base da pirâmide no corre de cada dia em que a gente olha e fala assim: "Como é que você consegue pra gente que vive num privilégio absoluto né que pode ter ajuda em casa que consegue exercer o trabalho plenamente né sem ter que se preocupar vou ter que fazer comida vou ter que limpar a casa vou ter que fazer a faxina vou ter que né olha para essas mulheres e fala: "Cara como é que você consegue consegue né a Raquel é essa mulher que cria a filha eh faz a comida dentro de casa limpa é é responsável por toda a as funções de dentro de casa trabalha a rimo de família mesmo né ro é nem é o pai dela tinha um pai com uma estrutura econômica mas mesmo assim ela não como diz na Bahia não pongava no pai ela tinha tem completamente a vida dela mas é a vida que deu para ter não a vida que ela sonhou ter ela não pôde sonhar ter uma vida porque a maternidade veio de forma arrebatadora e ela teve que se reorganizar dentro dessa estrutura que a vida acabou trazendo para ela sabe não foi uma vida em que ela planejou que ela estruturou não ela foi equilibrando os pratinhos mesmo e abriu mão de vários sonhos né e abriu mão de todos acho que ela acho que ela nem pôde sonhar sabe ela foi uma mãe muito jovem foi uma mãe com 18 anos elas quando ela tava para sonhar veio a maternidade e ela foi arrebatada por todas essas questões não só da maternidade mas da vida um casamento casamento eh completamente desestruturado ela mudou de cidade a velocidade um homem que tinha problemas sérios com álcool que era um boêmio então ela ficava naquela administração volto para casa pra casa do meu pai até que chegou num limite que ela falou: "Eu vou voltar pra casa do meu pai" e aí deixa a São Paulo que não era a cidade dela Natal eh tampouco o pai morava na cidade de Natal porque o pai era um funcionário público tava morando em Foz do Iguaçu mas chega em casa com uma filha de 11 anos e fala: "Pai voltei demais" e agora em termos de caracterização pelo que eu vi de cenas é quase nada assim né e eu vi muita gente falando e nossa que trabalho de envelhecimento que teve e e eu amo porque você já desmistifica logo gente esse cabelo branco é meu meu eu pinto o meu cabelo não é isso é meu cabelo é ele é bastante branco ele é muito branco e depois que começou a novela ele ficou coincidentemente mais ganhei uma faixa branca até pergunta pra minha médica o cabelo vai despigmentando porque tem uns que a gente vê que vai crescendo despigmenta fala despigmenta fal nossa gancha do lado direito aqui inteira eh então a caracterização a gente vai fazendo compondo junto com o figurinista e com os caracterizadores os profissionais de cabelo e maquiagem e a gente fez vários testes e quando eu cheguei no sete o Paulinho Silvestr nosso diretor olhou e falou assim: "Ela tá maquiada." E a Rose a Mary a Mary Mary de Rosem Mary né que é a nossa caracterizadora junto com o Marcelinho Dias falou: "Não mas eu eu fiz uma coisa muito leve quase nada" ele falou: "Não mas eu tô vendo maquiagem vamos tirar tudo" e aí olhou todo mundo todo mundo olha pra cara da atriz né que que a atriz vai falar sobre isso eu falei vamos vamos tirar tudo vamos ver como o que que rola e aí a gente tirou tudo de base de qualquer correção e tal e mas a Paulinha achou legal deixar um lapizinho que ela usa um lápis verde e um batonzinho rosa porque ela é vaidosa ela gosta dela mas ela não é aquela mulher que vai fazer uma pele para ir trabalhar sabe não tem não não passa por isso assim a vaidade dela não tá nesse lugar e acabou que essa caracterização né que também é caracterização me ajudou demais a compor porque tá uma cara real eu tenho uma cara que a maquiagem para mim é uma ferramenta maravilhosa a maquiagem pode me levantar me deixar incrível me deixar tipo um cara de artista e a não maquiagem também me favorece muito a determinadas cenas a determinados personagens nesse caso tirar a maquiagem foi maravilhoso para mim e aí quando realmente a gente tirou e eu olhei eu falei: "Cara tá aí uma mulher dessas que a gente encontra pela rua" legal legal e aí foi o norte também né e o espírito para você é e foi no sete tá foi na hora de começar a gravar legal você viu a primeira versão em 88 da novela você tinha o que uns 10 anos tinha 10 anos exatamente você lembra que te impactou como é que era então eu vi 88 se eu não me engano eu vi um Vale a pena verde novo eu tenho grandes memórias da novela mas eu não sei te dizer se é de 88 se é do Vale Pena ver de novo ou se é do Vídeo Show né porque a gente viu tantas vezes cenas icônicas da nossa novela agora pra segunda pra nossa versão eu não vi eu vi o primeiro capítulo só que a internet ela me inunda de cortes obviamente ritmo ó só mandando exatamente então vira e mexe no outro dia eu fiz uma cena na praia e aí tava eu com as figurinistas as assistentes figurinas sentadas assim ela falou: "Vamos ver essa cena como foi?" Vamos a gente já tinha acabado de gravar e a gente ficou olhando olha isso era diferente isso era igual isso manteve então a gente vê muito por curiosidade o que não impede assim de por exemplo a cena do vestido que é uma cena muito icônica cara acho que essa cena eu vou assistir para ver pra gente fazer alguma homenagem tem uma cena uma curiosidade uma cena da que é o segundo encontro delas porque a Raquel chega até a Maria de Fátima Maria de Fátima tá saindo manda ela embora diz que procura ela no dia seguinte no dia seguinte ela vai até a vila encontra Raquel elas têm uma conversa super dura e aí a cena não tinha visto e eu tava lá na cozinha peguei um pano de prato quando eu fui ver depois um corte que chegou para mim a Regina estava na mesma posição com um pano de prato nossa e eu falei: "Meu Deus exatamente nossa que coincidência legal assim então isso tem acontecido muito bom agora você falou de Regina sua antecessora no papel eh o que que você acha dessa figura você chegou a trocar mensagens você a procurou olha eu tinha lido mensagens extremamente gentis da Regina sobre a minha participação na novela e para fazer a Raquel personagem que ela fez de uma forma tão icônica que tá no coração de todas nós né eu vi tantas tantas mensagens gentis falei: "Cara eu acho que eu preciso atribuir essa gentileza" sabe mandei uma mensagem para ela agradecendo as palavras gentis ela mandou uma outra mensagem super bonita e eu acho que é isso acho que é cara educação gentileza elegância nunca demais sabe e ela foi tudo isso comigo é há de se ter um respeito não dá para cancelar a pessoa também né e enfim porque ela teve posturas políticas ultimamente polêmicas digamos assim polêmicas e são pensamentos né dela eu tenho os meus eh que são pensamentos que divergem sim divergem mas eu não posso negar que essa nova que essa personagem foi feita pela Regina Doartes eu não posso apagar a Regina do Artes da história da teledramaturgia entendeu até porque ela fez personagens icônicos incríveis personagens que eu gostaria de fazer gostaria de fazer vigor por cina sabe gostaria de fazer rainha gostaria de fazer a rainha da sucata fez personagens super icônicos que eu adoraria fazer também entendeu entendi é é isso aí e assim você merece muito né você vem construindo sua carreira eh ao longo desses 30 anos de uma forma muito dedicada e versátil e tal mas é um senhor papel para comemorar os 30 anos de TV né nossa é um papel que eu não tinha tamanho da dimensão dele e da riqueza dramatúrgica dele eh e nem tinha dimensão também que era que esse apeleg meus 30 anos de carreira eu não sei por mas na minha cabeça eu desassociei os 30 anos de carreira a essa personagem chegar nesse momento como um verdadeiro cara uma verdadeira celebração desses 30 anos eh e é porque é uma personagem que tem muitos conflitos e me permite passeios por emoções muito densas e muito complexas eh e também alegrias profundas porque é uma personagem que ela perde a fita filha dela e que ela vai nesse nessa tentativa desse resgate né dessa jornada ao mesmo tempo ela se descobre como mulher ela se descobre como profissional tudo que tinha ficado que eu falei no início da entrevista ela abriu mão né dela ser ela quando essa filha vai embora ela descobre como ela é potente possível especial ela vai ficando rica calcado na ética nos princípios nos valores dela e no trabalho dela é ela que rasteira na vida né é e quando ela achava que não era possível ela achava que não era nada ela tinha autoestima baixa ela achava de repente ela fala tem uma fala linda do personagem do Luiz Melo que é o Bartolomeu que fala para ela assim: "Você precisa descobrir qual é a sua vocação" todo mundo tem uma vocação na vida ela fala: "Mas será que eu tenho?" Todo mundo nasce com talento descobre qual é o seu você tem que fazer o seu talento a sua forma de ganhar vida a sua forma de ganhar dinheiro eu acho isso tão lindo que eu repito pros meus filhos em casa ó vocês precisam descobrir que vocês amam adoro pega o texto leva pr casa mano a Manuela tem umas coisas dessas do amor de mãe tinha uma coisa também que ela falava assim: "Não existe conversa difícil entre a gente" eu repito essa frase olha essa não existe conversa difícil eu tenho repetido as frases da Manuela e nessa também que eu não sei se dessa não sei se é especificamente da Manoela essa que outra que eu citei era de amor de mãe era bem dela essa eu não sei se era da Manoela ou do Gilberto Agnaldo enfim mas que é descobrir a sua vocação o seu talento e fazer dele a sua forma de ganhar a vida sim mas você que é mãe também não deve ser nada fácil ouvir Maria de Fátima dizendo aquelas atrocidades vendendo casa eu acho que é aí que essa personagem mexe comigo de uma forma muito profunda porque ela ela mexe assim com a mãe que eu sou com a filha que eu tenho com a mãe que eu tenho com a filha que eu sou então são tantos atravessamentos que eu fico assim: "Meu Deus por isso que as cenas não são difíceis de eu embarcar emocionalmente sabe porque não tem como a gente não se ver eu sou mãe você é a mãe não tem como a gente falar: "Meu Deus porque é possível é capaz de acontecer isso" e a gente eu fico toda emocionada e a gente nunca cria um filho para ser o que a Maria de Fátima é e a Raquel não criou a Maria de Fátima para ser o que ela é então isso acho que não vem dela não vem do Rubinho vem da própria Maria de Fátima é duro porque ela fala assim: "Não é que ela Olha eu já ai meu Deus me dá um negócio aí pelo amor de Deus um lencinho aí trigo me ajuda eu tô aos brancos aqui me ajuda pelo amor esse lugar da mãe é muito um lencinho um guardanapo amor não tem não então dá esse lencinho mesmo tá obrigada pelo amor de Deus eu tô aos prontos aqui mas é porque esse lugar da mãe é muito sagrado né assim todo mundo não tem como não mexer é sabe até quem teve mãe presente quem não teve a mãe presente né questão de não ter a mãe presente e esse arquétipo assim mesmo da mãe ele é um arquétipo que mexe com todo mundo eu vi o Milton falando aqui da mãe dele óbvio que isso impacta na vida dele e ele arrumou a maneira de lidar mas se não tivesse sido importante ele sequer citaria total total sabe então a mãe aliás eu vi fiquei profundamente emocionada com a entrevista dele muito linda linda mesmo é a mãe tem esse mestre com a gente assim sim sim agora eh Bela Campos né faz a atriz faz Maria de Fátima sua filha e recebeu uma chuva de críticas antes mesmo da novela começar né só com o teaser isso refletiu no set como é que você como é que é para você ver uma colega ser atacada dessa maneira assim olha não refletiu no set porque até porque a Bela tá muito bem cercada de pessoas muito experientes né e o que eu falo tampero é que pra gente é fundamental que a Maria de Fátima dê certo porque a espinha dorsal dessa novela quem dispara tudo é a Maria de Fátima para mim é profundamente importante que a Bela brilhe muito nessa novela para o Reutman para Débora é fundamentalmente importante que a Bela brilhe muito nessa novela óbvio a Bela é uma menina esse se eu não me engano é o terceiro trabalho dela na televisão então quando eu olho pra Bela eu me enxergo muito quando eu comecei também eu comecei uma menina de 16 anos fazendo tocar grande tinha já tinha experiência de teatro mas eu não tinha uma vasta experiência não era aquela pessoa que você olhava e falava: "Meu Deus nasceu para fazer isso" não foi construindo né tão pouco em Chícara da Silva eu tava pronta o Avancini dizia que mandava eu mexer porque eu era que não dava que era para tirar a atenção do meu trabalho então por isso que a Chica mexiu só fui saber disso antes que eu fiquei com bastante ódio dele mas mas ele quis desper eh eh tirar o foco do meu trabalho então quando eu vejo uma menina tão jovem tão empenhada tão comprometida tão porque não é que ela tá brincando ela tá lá inteira sabe e eu acho isso mais bonito eu acho isso de um valor imenso sabe e eu tô tipo de mãos dadas com a Bela e como filha eu tô com ela tipo no colo quando a gente vai a gente vai junto até o fim a gente torce com certeza para tudo ser incrivelmente maravilhoso como foi a primeira vez tem um caminho tem um caminho de construção tem um caminho de aprendizado eu acho que o mais importante ela tá ali plena aberta querendo fazendo e a gente tá ali para ó dar suporte e dar mão e junta né bom mas se a gente pensar em termos de Brasil Thaís seria muito provável que Raquel uma mulher das mais batalhadoras mãe solo que vende salgadinho na praia fosse negra eh no entanto ela era branca você acha que isso tem alguma coisa a ver com o fato de nos anos 80 praticamente inexistir o protagonismo preto na TV acho tem 100% a ver se a gente pegar a novela a própria Vale Tudo Primeira Versão acho que tinham dois atores negros né só que era o Gildo que fazia um menino eh que a Raquel depois chama para trabalhar com ela eles têm uma uma questão ele rouba a Raquel e tal depois a Raquel fala para ele ó você precisa ser ético e tal e ele se reconstrói dentro de um universo completamente amoroso afetuoso e ético ele aprende o que é isso eh e uma outra personagem que eu não lembro qual era acho que sim eu acho que em 88 era no Brasil de 88 era inviável eh não era inviável porque não tinha atores não tá os atores estavam aí as atrizes estavam aí estavam trabalhando eles não eram respeitados vistos vistos eh sequer escalados sequer pensados para fazer isso então não era um problema dos atores negros em absoluto era um problema do Brasil né que não que é muito lindo você construir essa narrativa hoje né se a gente pensar no Brasil quem constrói essa narrativa em que coloca a população preta a população LGBT que a PN+ e as outras populações que a gente diz né que tá estão à margem do centro do poder e tal eh quem construiu as imagens detorpadas foi o jornalismo né telejornalismo a publicidade e a teledramaturgia que é quem conta a história de um país né e durante muito tempo a população negra era só vista como as a mazela do país desde que aconteceu desde que a população negra foi trazida sequestrada e escravizada para cá é a mesma narrativa desde sempre aí é abolição fica todo mundo à margem não presta proíbe capoeira proíbe a as religiões de matriz africana sempre é perseguido sempre não é ruim é horrível é feio não presta não tem caráter e conforme os anos foram passando essa narrativa foi sendo mantida né e aí eu falo cara realmente o jornalismo tá regionalismo publicidade tá dramaturgia são os grandes responsáveis eh por essa narrativa que conta a história da população negra do Brasil a teléramaturgia sobretudo porque é a grande identidade brasileira né e agora é muito interessante né é muito bonito e obviamente tem um valor comercial gigantesco por trás disso eh e reconhecer inclusive como valor comercial eu acho um valor também fala: "Ai mas é só porque comercial amor você se respeitaram como consumidor no mundo capitalista é o que há né eh de entender que cara é a nossa responsabilidade agora reconstruir a narrativa." Muito bom e isso tá tá rolando a gente vê nas novelas a gente vê que o jornalismo abordagem é completamente diferente aquela coisa que a gente sempre fala jovem é preso com não sei quantos sei lá quilos de cocaína aí se é uma pessoa preta traficante é preso com se é uma pessoa branca é o jovem se não é a mesma idade sabe é a a conta-se a história de maneira diferentes entre brancos e negros nesse país sim e agora eu sinto que todos esses que eu falei né a publicidade telejornalismo jornalismo e teledramaturgia estão agindo de forma responsável para reconstruir uma narrativa pois é e aí falando de Brasil vale tudo sempre foi um ícone para entender um pouco das várias camadas do nosso país né a começar pela música Brasil né do Cazusa que descreve muitas coisas ali e o remake manteve na abertura você acha que a compreensão sobre corrupção desigualdade do país mudou muito de lá para cá que reflexões a gente pode fazer em relação à cara do Brasil daquele tempo melhorou piorou ainda é o mesmo Brasil eu acho que é o mesmo Brasil e não é o mesmo Brasil eu acho que é o mesmo Brasil sem véu eu acho que sobre alguns assuntos existiam uns véos assim sei lá sobre a questão do racismo existia é tinha democracia racial né o mito da democracia racial sobre a questão da corrupção eh a o abismo entre ricos e pobres né tem tinham vários véus que hoje em dia esses véus caíram então eu acho que é uma outra maneira da gente ver o Brasil acho que o Brasil é um país muito imaturo ainda acho que é um Brasil é um país que não consegue se enxergar ainda que é muito imaturo mas já é mais maduro do que o Brasil de 88 né muitas coisas estão afloradas e aí eu acho que vai ser interessante olhar agora em 2025 com olhar um pouquinho mais maduro para esse país que é tão complexo total em que país que a Thaísa Araújo gostaria de viver que Brasil nossa tão distante desse que a gente vive tá muito longe olha tá tão longe que às vezes eu falo: "Gente não tem jeito" mas aí quando eu olho pros meus filhos que eu tenho eu falei: "Olha só não dá para pensar que não tem jeito porque senão a sucumbia eu tenho assim um uma de 10 e uma que vai fazer 14 não dá para sucumbir agora" então o negócio é trabalhar cara é um país que se você parar para olhar a a é complexo porque é um país muito grande tem muita gente mas era um país com onde todos pudessem partir do mesmo lugar onde todos tivessem a mesma possibilidade e eu acho que isso começa pela educação era um país onde todos deveriam ter a mesma educação porque aí todos partiriam do mesmo lugar né o mesmo a mesma qualidade de educação eh e parece que não é algo tão difícil né tem sei lá todos pela educação tem uma pesquisa que diz que em alguns anos não são 30 anos não acho que 10 sei lá não sei quantos anos exatamente eh dois três governos que a gente conseguiria igualar a educação no país mas tinha que começar agora não começa não começa nunca né mas quando eu vejo que é algo que não é tão distante não é algo impossível me dá muita revolta Maria porque é manutenção de poder é manutenção de poder para um único povo e aí vai me dando uma um ódio sabe uma gana tem uma fala no Medida Provisória que é maravilhoso gente é ai como é que é Medida Provisória filme do Lázaro Ramos maravilhoso ai eu esqueci mas uma coisa do Jorge que seu Jorge fala que o Brasil o Brasil força não tento esquecer o Brasil obriga beber mais ou menos disso tipo o Brasil obriga beber o Brasil é bom mas dá vontade de A gente ama dá uma vontade mas como é que é depois procura aí trigo essa frase do por favor do Jorge seu Jorgeor é muito bom ô Thaí eu vi um vídeo tão bonito que você falando eh você sonhava em son falando com você mesmo né sonhava em fazer a Raquel protagonista de Vale tudo aí você diz: sonhava sim e aí você discorre sobre sempre ter sonhado alto caro qual é a importância do sonho ainda mais para uma mulher negra que muitas vezes tem esse direito roubado né o sonho é fundamental né eu acho que tem duas coisas fundamentais na vida alegria e aí bem igual divertidamente mesmo sabe quem tá na torre de comando é alegria porque ela que faz a gente pra frente pode parecer uma bobeira mas é porque sem alegria a gente murcha a gente não tem ímpeto de ir pra frente eu acho que a alegria e o sonho des nós somos seres desejantes e isso faz a gente se mover sabe e eu é isso eu sonho altíssimo caríssimo fala: "Você nunca sonhou?" Sempre sonhei mas achava que não seria possível mas sonho é sonho mas sonhar não né sonhar não custa nada gente e é isso sonhar barato caro dá o mesmo trabalho né e é isso mas eu mas eu também Maria eh como você falou ah você que é uma mulher negra eu sim eu sou uma mulher negra mas eu já parti de um lugar muito diferente de um lugar que eu pude escolher né de um lugar muito mais à frente das mulheres com as mesmas características do que eu a frente que eu falo eu tinha uma estrutura socioeconômica muito estável do que vinha vem dos meus pais né eh então o sonhar também nesse país diz respeito a isso poder econômico poder econômico por isso que eu acho que a educação que é é muito louco você falar isso hoje para um pra geração mais nova de falar o que vai te trazer mobilidade social é a educação quando na internet as pessoas estão ganhando fortunas né e não necessariamente passa por pela educação então isso tem ficado pras gerações mais novas quase falam mas que que vale mais né um bom aluno meu filho já perguntou para mim mas que que vale mais um bom aluno de matemática ou um youtuber que fala sobre comida sei lá sobre qualquer outra coisa sobre joguinho eu fiquei meio tem que estudar amiga a gente tem que estudar para educar essas crianças mas é uma é um questionamento né é é bastante contemporâneo eu acho que acho a colocação dele faz todo sentido no mundo em que ele vive né sim eh mas é isso acho que a mobilidade social ela é ela a educação é um grande motor assim paraa mobilidade social e tem esse esse esse diferencial né da do meu ponto de partida então reconheço total esse privilégio eh sei que ele existe e tento fazer com que eu consiga espalhar isso né fazer com que outras pessoas tenham possibilidades também parecidas comigo acho que o meu trabalho é sobre isso também você 14 novelas oito protagonistas cinco séries sendo quatro como protagonistas fez um monte de filme engatou cinco filmes ali depois de medida provisória você não descansa não desde os 13 anos você tem carteira assinada trabalha para caramba eh isso não é um romantizar o trabalho na prática não Thaís eu acho que isso tem uma coisa mais profunda do que isso cara eu acho assim eh a minha car eu trabalho como comecei a trabalhar como modelo com 13 com 16 eu assinei a minha carteira e desde então sou cé não parou mais não eh assinei na manchete na manchete passei pra Globo e na Globo eu tô até então é menina tem algo mais profundo que por mais que eu fale que eu tenha partido na frente por uma estrutura socioeconômica é bastante confortável dos meus pais os meus pais eles são os primeiros que se formaram da família deles primeiros e únicos da geração deles né nenhum irmão de nenhum deles é formado e tal eh e eu conheço o que é a realidade do povo brasileiro e eu tenho pavor de dizer não trabalho e já visto muito em análise eh eu sei que isso vem um medo da escassez uma loucura vou chorar de novo de novo porque Sim é uma loucura é você pode ter o que você além de ter muito prazer no meu trabalho tá acho que não é só isso também não eu tenho muito prazer eu adoro eu me divirto é eu acho desafiador eu acho que meu trabalho me faz melhor meu trabalho me faz entender o Brasil o meu trabalho me faz uma pessoa melhor uma mãe melhor uma mulher melhor meu trabalho me fez entender eu quer ser mulher nesse país sabe sou chorona ai maravilhosa eu também choro assim e é isso né um lugar muito sagrado mesmo pro povo brasileiro né o lugar do trabalhos trabalho dignifica sim eu sou falar é romantizar o trabalho fala mas o meu trabalho não é só um trabalho não é aquele trabalho que eu vou lá operar uma máquina eu não vou ter prazer nisso o meu trabalho ele transforma ele não só transforma a minha vida como eu sei que ele transforma a vida de outras pessoas sabe não é toa eu cheguei aqui a Viviane levou uma menina para me apresentar você chamou um outro profissional aqui do Globo para me apresentar porque eu tenho referência né plena consciência do que eu represento na vida dessas mulheres e agora e elas precisam ter plena consciência do que elas representam na minha vida que cada vez que uma vem falar comigo me fortalece sabe eh eu fico mais forte eu me sinto mais poderosa sabe falou: "Pô meu trabalho é maneiro meu trabalho vale a pena meu trabalho impacta mais do que tudo eu me sinto útil e eu acho que se sentir útil também na vida é fundamental pra gente levar essa vida pra frente sabe eu adoro ser útil útil qualquer coisa c um negócio adoro pegar aquela pessoa sabe qualquer eu gosto de ser útil eu tenho prazer nisso muito bom mas você chegou a dizer não pro Mel Gibson que não ia morar fora pra trabalhar pr fazer Veloz e Furiosos não não é Viesel vem diesel ah com Van Diesel ah então pois é e aí você falou para ele ó não eles te convidaram para fazer Velozes e Furiosos e você Foi assim eu tinha acabado de fazer a o personagem A Helena do Manuel Carlos eh e eu tinha acabado de voltar ao casamento o período que eu fiquei separada com L acabaram de voltar voltei no início da novela então tinha passado durante as gravações né e aí passou acabou a novela eu tava exausta e aí eu fiz um fazer um teste eu fiz o teste e aí falou: "Ai você passou no teste tem que fazer um outro teste já em Los Angeles" e eu o quê e eu não tinha a menor esperança de passar falei: "Pera aí mas eu tenho uma viagem eu tinha uma viagem marcada com Lázaro que a gente ia para Nova York e depois a gente ia paraa Grécia" e eu falei: "Cara tá bom vamos para Los Angeles." Eu lembro que eu e o Lázaro a gente pegou o mesmo voo aí chegou em Atlanta ele seguiu para Nova York e eu segui para Califórnia eu segui para Los Angeles eh e aí eu cheguei lá né que ah disse não pro Vin Diesel não cara eu fui muito sincera com o Vin Diesel eu lembro que a gente estava conversando eu fiquei no hotel me botaram no hotel aí vi um carro preto daqueles de artista de cinema para me pegar aí fiquei num hotel cinco estrelas e eu assim ó olha parece até pecado um negócio desse né eu assim falando pro Lázaro: "E aí como é que tá indo Nova York?" Eu queria estar com ele cara eu queria estar com ele e aí tive uma reunião com Vindiz eu nunca vou esquecer foi num num prédiozinho de aquelas aquelas escadas de incêndio um przinho pequeno era um era um escritório da produtora de elenco aí eu fiz um vídeo e aí ele chegou e a gente ficou conversando na escada lá de incêndio aquela que é por fora aí falando que ele queria vir filmar no Rio que era caríssimo adoro dificíimo filmar no Rio que era caro talvez nem viessem filmar aqui talvez fizessem tudo em Porto Rico é não sei que ele você quer mas você quer fazer eu falei para ele: "Não eu quero ter filho ele é" eu falei: "É meu marido tá me esperando lá em Nova York vou sair de férias." Eu falei: "É óbvio que você virar e falar e você vai fazer eu que vou fazer mas o meu desejo agora é olhar pra minha vida pessoal não é fazer um filme aqui eh por mais que eu respeite vocês acho tudo muito legal nossa seria incrível mas não vai ser possível desculpa mas não é o meu maior desejo agora eu acho que ele ouviu isso e falou: "Gente gastamos essa grana" trouxemos essa mina para cá para nada e obviamente não rolou eles chamaram uma outra cr tinha um perfil completamente diferente do meu eh e foi né e foi cara eu acabei de fazer isso de novo também veio um roteiro de um filme era o filme gringo eu li era personagem ótimo tudo ótimo ah em outubro eu o quê falei: "out outubro" falei: "Não tem condição de dar uma resposta agora" aí não mas se você quiser a gente deixa para janeiro e aí eu tô no meio dessa novela eu falei: "Gente eu tenho um filho que vai fazer 14 uma filha que vai fazer 11 o ano que vem ainda mas filho faz 14 agora eu tô passou desde novembro início de novembro fazendo essa novela só acabo de fazer ela em outubro maria eu tenho chegado em casa é a coisa mais triste do mundo a casa inteira tá dormindo eu não consigo ver se eu não levanto 5 da manhã para ir fazer meu exercício de 6 às 7 levar meus filhos na escola eu não consigo vê-los eu falei: "Faz sentido né cara agora nesse momento com as crianças nessa idade talvez não seja a minha melhor escolha." Sim e aí as pessoas mas você vai jogar isso no lixo essa oportunidade eu nunca tive esse sonho de American American Dream American Way of Life eu nunca tive esse sonho eu tenho eu tenho uma vida muito boa no Brasil eu sou muito feliz aqui eu sou muito respeitada eh o trabalho numa emissora vai fazer daqui a pouco sei lá tem 28 anos de TV Globo que eu tenho muitas possibilidades eh sei lá o Brasil tem muitos problemas mas eu adoro morar aqui se você é o boy lixo né rio de Janeiro principalmente você falar você vai morar em Los Angeles São Francisco vou falar venta um defeito em qualquer lugar do mundo nas melhores cidades e tem a questão dos meus filhos da minha família de eu já tá bastante ausente agora eu acho que não sei se eu fiz a melhor escolha mas eu fiz a escolha do meu coração é você é uma mulher com profundo desejo de mudança a gente vê isso não só no seu discurso como na prática abrindo portas para tantas outras mulheres quantas vezes eu falo eu já ouvi você dizer: "Não não pergunta para mim pergunta para outras pessoas né abre exige que outras vozes sejam ouvidas leva a gente junto sendo motor de transformação pro mundo eh você se vê com uma obrigação assim moral e afetiva de fazer com que a realidade pra sua filha seja mais fácil do que foi pra sua mãe do que foi pra sua avó do que foi para você ah sem dúvida tem eu acho que já naturalmente já é né naturalmente as novas gerações a gente andou bastante nos últimos anos né em relação a isso eh acho que as novas gerações já vem eh com algumas facilidades assim a minha preocupação é que a minha filha saiba de onde ela veio sabe eh eu acho que a vida tem que ser mais fácil tem caminhos abertos para as novas gerações mas não pode esquecer quem veio antes como por que está mais fácil para ela sabe por que que é mais simples porque não tem mais tantas tem outras dores algumas as mesmas mas eh muito menos do que a minha geração passou do que a geração anterior e assim né eh mas eu acho que o mais importante é não esquecer de onde veio qual o caminho como o caminho e como e por quem o caminho foi pavimentado sabe é porque eu já vi você dizendo que se você se achava um pouco invisível na Barra da Tijuca para onde você se mudou com a sua família que você se beijava na boca o amor era uma coisa que você precisou perseguir você tinha pouco acesso a ele se chegou a se sentir pouco amada ou não amada você fala desejada desejada eu tô falando pouquíssimo pouquíssimo eu tive que pra Bahia beijar na boca né amor meu primeiro beijo na boca foi num cara lá na Bahia quantos anos 14 eh mas eu eu fui perseguir isso essa história porque aqui não rolava mesmo morava no condomínio na Barra da Tijuca estudava no anglo-americano num Eu lembro de uma amiga minha de escola a Lívia ela ela namorava um menino negro chamado Tinguinha eles são casados até hoje os dois acabaram a escola foram morar em nos Estados Unidos moram lá até hoje o Tinguinho era um garoto negro e a Livia escutou os meninos falando assim: "Ai Thaís não dá né thaís não dá porque é preta não dá é maneira gente boa tal não sei quê mas não dá para ficar" e a Lívia por que namorava um garoto preto era completamente apaixonada por ele e até hoje estão casado sei lá estão casado 30 anos eu acho eh ela veio aos prantos para mim aos prantos sem conseguir entender aquilo aquilo não passava pela cabeça dela eu acho muito muito bonita essa história da Lívia porque ele me lembrou também uma me lembrou a Mari nossa figurinista porque que fez comigo viver a vida que uma produtora perguntou para ela assim: "Como é que você tá vendo que não dá certo você tá vestindo uma preta de branco como se ela fosse branca e ela rim para mim aos prantos existe isso vestir de forma diferente estou falando duas pessoas brancas que dão de cara com racismo porque não não é o dia a dia delas e que diz respeito a uma ao trabalho dela e a outra ao amor da vida dela foram tomadas de assalto assim né e nas duas situações eu fiquei muito calma porque esse é o dia a dia da pessoa preta nesse país né então eu lembro da da Lívia vindo muito desesperada porque que que é isso que eles quiseram dizer que que eles quiseram por que eles falaram isso eh e é curioso também porque as minhas amigas hoje que t filhas adolescentes negras cara questão delas são sempre as e e estudam escolas particulares né sempre as últimas a beijar na boca ninguém quer namorar tal aí quando consegue ai meu Deus do céu porque essa aqui é uma questão que permeia as mulheres negras a questão do amor né a questão do amor a questão do amor permeia mesmo eu não acho que eu casei com homem negro à toa eu não acho que eu namorei homens negros antes de casar com Lázaro à toa sabe eu lembro que eu namorei um menino branco que ele falava assim eh o Marcinho ele falava assim: "Meu a minha mãe é nordestina meu irmão é gay minha namorada é preta" aí ele falou: "Porra eu acho que eu tô me entendendo que tipo de brasileira eu sou sabe acho que eu não poderia ser de outro jeito eu sou filho de uma nordestina meu irmão é gay acho que acho que eu tô entendendo o tipo de pessoa que eu sou eh mas passava por ele esse pensamento também provavelmente ele deve ter sido questionado algum momento né é porque esse questionamento não passava não não passava e não era eu que passava para ele então esse é um assunto sim que permeia as mulheres negras eh sejam elas tenham a origem que tiverem né a escolaridade que tiverem eh isso passa atravessa a gente sim muito e na adolescência era isso ninguém do condomínio nunca fiquei com ninguém no meu condomínio nunca fiquei com ninguém da minha escola outro assunto que permeia também eu acho que durante muito tempo as mulheres brancas dominaram o discurso feminista né sem levar em conta as questões raciais e de classe esse feminismo de verdade sem levar em conta a ideia de interseccionalidade eh ele é justo não existe eu acho que ele nem existe existe eu acho que esse feminismo que não pensa na interseccionalidade ele deve ser jogado de lado sabe porque se a gente olhasse em um panorama eh você tem mulheres né mas quando você olha mulheres tem muitas diferenças entre as mulheres né a as mulheres brancas t muito mais privilégios que mulheres negras os homens brancos é quem tá no topo né depois entre o homem branco e homem negro tem muita diferença se a gente pensar nas mulheres eu lembro que no livro da Angela Davis tem uma coisa muito interessante assim que ela fala na época na época da que teve a guerra da secção e aí depois depois teve toda a a toda a questão da segregação questão do voto era para decidir quem votaria mulheres brancas ou homens negros até então mulheres brancas e mulheres negras estavam muito juntas até esse momento e aí quando foi decidir o voto quem vai votar mulheres brancas ou homens negros mulheres brancas passaram na frente falam assim: "A gente que vai votar" sendo que a questão negra era uma questão de sobrevivência de sobrevivência cara as pessoas estavam lá sendo espancadas né linchamentos né e as mulheres brancas passaram de frente e aí houve uma ruptura realmente entre mulheres brancas e mulheres negras sabe e aí começou todo aquele discurso de a gente precisa trabalhar a gente quer trabalhar precisamos trabalhar ai meu Deus white people problem quando na verdade as mulheres negras que foram para aquele país que vieram para esse país foram só vieram para trabalhar então quando fala assim ai porque nós estamos lutando para trabalhar fal nós quem ah meus antepassados só trabalharam isso não é um assunto nosso sabe e aí você ignorar essa parcela gigante da população né o feminismo o feminismo geral se a gente pode chamar ignorar as mulheres negras por isso que se chama feminismo e feminismo negro tem que ter um outro tem que olhar tem que ter interseccionalidade e dentro do feminismo negro também tem que ter intersecionalidade porque tem a questão e de classe que ela não pode ser ignorada a minha vida não é a mesma vida de uma mulher lá na maré entendeu que é uma mãe solo com seis filhos sabe que vai para de transporte público eh trabalhar que demora 3 horas para ir 3 horas para voltar que ela não sabe com quem fica o filho dela que o filho dela pede para uma vizinha olhar sabe não é a mesma vida que eu tenho então não posso medir a vida dessa mulher pela minha régua que tenho comida todo dia tenho que cozinho para mim tenho carro para ir trabalhar porque eu vou dormindo ó deitadinha dormindo com com uma mantinha não sei que no ar condicionado chega o trabalho eu não posso medir a minha vida pela vida da mulher que tem uma uma condição socioeconômica completamente diferente da minha não posso julgar essa mulher o que passa na sua cabeça quando eu uma branca vem te entrevistar a primeira coisa que passa na sua cabeça nada sincero nada o que passa na minha cabeça eh como eu já trabalho há muito tempo o que eu via antes era uma eu vejo uma mudança muito nítida nisso porque antes a pessoa que veio me entrevistar normalmente era uma pessoa de uma classe social diferente da minha uma origem muito diferente da minha então ela vinha e trazia junto com ela toda a sua construção toda a sua origem a partir disso ela olhava e dizia quem eu era e isso virava uma verdade absoluta né eh agora com a internet isso se dissipou com a questão das cotas isso mudou com a questão da do feminismo negro olhando pras feministas e falando: "Ei galera não não não vocês precisam olhar para cá você se diz feminismo feminista mesmo você precisa olhar pras mulheres negras e entender sabe eu olho para você mas também eu sei a jornalista que você é né eu sei também quem você é de quem você é filha enfim eu também sei muita coisa sobre você antes a gente não sabia nada tinha que uma pessoa eu sei muita coisa com você eu sei minimamente como você pensa eu sei minimamente o que você pensa do país então eu olho ó vem uma pessoa que sabe também quem eu sou mas eu também sei quem ela é e a gente vai trocar uma ideia e eu acho fundamental que cara que seja uma troca honesta entendeu que você vai me trazer coisas que eu não sei você vai me questionar você vai me provocar e o fundamental é que você com toda sua bagagem assim respeite as minhas colocações porque elas também vem carregadas do que eu sou vem carregadas da minha origem vem carregadas das minhas vivências que não são suas né acho que é isso acho que é uma troca eu acho tem que ser uma troca honesta mas ainda falta gente preta entrevistando no jornalismo em todos os lugares né falta tem mas o que falta é o que falta em todo lugar em lugar de poder sim a gente não tá no poder a gente não tem a caneta na mão sim é isso é um problema sim e tem essa coisa de tipo você tem uma vida de protagonismo e de muitas primeiras vezes né eh foi a primeira atriz negra protagonística de uma novela da Globo primeira e negra apresentar o super bonita eh milhões de capas a primeira negra ser capa de determinadas revistas e tal isso é um lugar muito poderoso mas também é um lugar que Conceição Evarista também fala sobre o perigo da exceção né a tocanização mesmo da coisa é a Manda fala o perigo da história única né isso e aí como equilibrar essas forças como que reflexão a gente pode fazer sobre isso assim: "Olha Maria o que eu tento fazer é abrir caminhos e não ser a única." E isso me veio de forma muito nítida assim quando eu tive a minha filha eu falei: "Cara se ficar nesse citoquenismo" eh e quem abriu a minha cabeça no meu pito foi a Carla Cotirene que ela tinha falado eu falei eu nunca ouvi falar sobre isso o que é isso ela falou que você é quando é um símbolo uma pessoa que você tira me destaque mas existe a Thí Araújo mas existe o Lázaro R mas existe o Joaquim Barbosa tá mas assim a população negra não se resume a nós três né e eu falei: "Meu Deus eu fui estudar sobre isso" eh e muito depois da minha filha falou: "Cara se eu quiser que esse mundo mude mesmo paraa minha filha ter um país melhor para ela minha filha e meu filho não pode ser só eu não pode parar em mim porque é uma mentira se for só eu a única ocupada a gente tem que abrir até porque eu não posso representar toda uma população porque também a gente cai num outro erro de achar que a população negra é uma massa única que pensa igual né e não somos e também você tem que dar opinião sobre qualquer caso de racismo que aconteça ou qualquer situação dessa vir a gente tem muitas ideias diferentes porque a gente também como uma população a gente também parte de lugares diferentes né também tem históricos diferentes vamos humanizar né é ideais diferentes subjetividades entendeu então eh eu esqueci que a gente tava falando então não a gente tava falando do tokenismo né de não ser e como como a sua filha também o perigo da da história única né que a Amanda fala é e tem que ficar muito ligado nisso porque isso é uma grande cilada é é e eu vi um outro vídeo seu maravilhoso com você conversando com a Helena né a sua protagonista de Viver a Vida novela de Manuel Carlos que foi disruptiva a primeira negra né a ocupar esse lugar você recebeu uma tsunami de críticas durante muito tempo entendeu aquilo como um fracasso e hoje você olhando o vídeo é lindo você se falando se declarando para ela dizendo como ela te fez eh perceber né eh a partir dali a tua negritude passou a ser o carro chefe de tudo que você fazia né a Elena foi um despertar né e como mesmo sob chuva de críticas ela foi muito eh eh acolhida e festejada pela população preta com seus cabelos pretos que até então eram crespos que até então eram alisados ou nas tranças e aí você hoje olha para isso e fala: "Mudou minha vida" e aí parte daí tudo que você fez depois tudo se Elena não tivesse passado pela minha vida não seria quem eu sou hoje ela foi fundamental mas eu demorei tá eu fui lá embaixo para poder entender que o que tava acontecendo não era sobre mim as críticas né é não era sobre mim era algo muito mais complexo muito mais denso era sobre um país inteiro era sobre a identidade desse país era sobre esse país não valorizar as diferenças que existem nele que compõe esse país sabe era sobre esse país não aceitar uma mulher negra bem-sucedida sem justificar como ela chegou ali sem arrastar uma corrente antes para ser vitoriosa porque a única coisa que justifica é assim: "Ah essa pessoa negra é rica" "ai mas ela passou fome ah coitada ah mas ela não sei que ah coitado tem que arrastar uma corrente se não arrastar uma corrente é injustificável aí bora né cair matando em cima e a Helena não tinha essa justificativa não tinha nenhuma ela tinha uma família estruturada ela tinha uma irmã que tinha um problema que chegou no terceiro capítulo ela entregou pra mãe toma com a filha seu vou seguir minha vida eh então a a gente ali foi muito bom depois de um tempo analisar que país é esse e a novela está passando agora menina eu recebo uma chuva de elogios olha olha que louco as pessoas falam: "Você tava ótima Helena eu vejo só por sua causa meu Deus não sei." E eu falo você sabe que eu não fiz de novo né várias vezes eu falo você sabe que eu não eu não gravei de novo isso aí foi feito em 15 anos o que que mudou nas pessoas para acharem que agora eu tô bem na novela e 15 anos atrás eu era uma bosta é muito engraçado muita mas gente mas é pouca gente não muitas mulheres muitas mulheres brancas sobre porque as negras já falavam: "Ah eu deschei o meu cabelo ficar crente por causa da Helena" isso eu já tinha a resposta do povo preto povo branco não agora fala: "Você tá ótimo nossa eu vejo por sua causa nossa" falou: "Algo mudou no Brasil" é e você mastigou o racismo na teledramaturgia nas revistas femininas na publicidade eh no entanto suas colegas brancas contemporâneas ali estampavam revistas e mais revistas com você parecia sempre que ter uma ter uma justificativa na verdade eh eu queria saber assim se você virou um case um fenômeno de publicidade você tá rica tô riquíssima não eu não tenho eu não sou rideira né Maria então por isso que eu não digo não é trabalho eu tenho uma vida bastante confortável a publicidade realmente gosta de mim eu também gosto dela engraçado tem gente ator que odeia fazer publicidade né eu quando tô fazendo publicidade até porque eu tenho clientes que são clientes que eu gosto de estar ali aliás a maioria dos meus clientes meus maiores clientes salva L’Oreal que eu já tô há muitos anos há 15 anos foram clientes que eu bati na porta para fazer tá eu bati na porta de todas essas que você vê a minha cara aí ninguém chegou até mim eu bati na porta e falei: "Oi tudo bem eu quero trabalhar para vocês" eu tive reunião com CEO eu liguei almocei com CEO: "Oi tudo bem?" Então eu sou seu cliente desde sempre posso fazer sua campanha de falar do do de almoçar ser muito gentil e falou: "Por enquanto não temos nada quando eu botei o pé para fora falou assim ó tinha um orçamento pro ano que vem" tudo eu fui caçar tudo eu fui atrás acabei de fechar um contrato porque a dois tr anos eu vim uma campanha falava: "Essa campanha linda eu queria tanto falar com eles que campanha linda eles estão falando tão bem eles estão comunicando tão bem trigo pelo amor de Deus bate lá" a gente bateu e dinheiro é reparação também não é ah dinheiro é reparação né porque dinheiro é poder né dinheiro é poder mas assim eh é o que eu falo pros meus filhos meu filho no outro dia veio um papo de nepo baby para cima de mim eu falei: "Tu tá maluco hein não não come essa pilha não porque três gerações atrás amor três quatro gerações atrás de você eram pessoas escravizadas não come essa pilha não você vai ter que trabalhar sim você vai ter que estudar meu filho é super boa aluna né tem que estudar sim vai ter que encontrar uma profissão que você ame?" Sim porque você não é herdeiro gato a gente não é herdeiro não come essa pilha de napole baby não que tu não é não aqui pra cá não aqui a gente não pode mas é revolucionário uma mulher uma mulher uma mulher preta uma mulher preta feliz e dona da sua verdade poder ser quem você é é é qual o tamanho disso ah é é revolu é subversivo quase sabe eh e aí hoje em dia eh porque antes era uma coisa assim não que eu não ainda não tenho muita responsabilidade né de estar nesse lugar eu sei o que esse lugar representa eu acho bonito eu acho que isso impacta a vida de outras pessoas mas hoje em dia eu consigo ver isso com graça sabe com leveza porque quando eu olho eu consigo ver a Clara Moneque eu consigo ver a Gabis eu consigo ver a Jessica Helen a Duda Santos sabe eu consigo ver a Juliana Alves a Roberta Rodrigues eu olho a a Cris Viana eu olho todas as meninas eu falo assim: "A Sheron vai aí que eu citei algumas meninas olha só 80% das que eu citei são protagonistas tá eu olho e falo assim: "Ai tenho uma graça nisso tenho uma leveza nisso sabe é bonito é eu fico feliz e aí tem uma tem aí tem a graça de a graça e a liberdade que só vem com poder também né e a possibilidade de poder ser subversivo nesse lugar é isso eu acho muito legal é e você é subversível em vários lugares num num TED você disse: "No Brasil a cor do meu filho é a cor e que faz com que as pessoas atravessem a rua escondam a bolsa" você e Lázaro moram num bairro branco provavelmente os filhos de vocês João Vicente e a Maria Antônia estudam numa escola onde a maioria das crianças é branca queria saber como é que faz para criar criança uma criança crianças pretas no mundo de gente branca eh no sentido assim de educá-las para pertencer saber que eles têm o direito de estar naquela naqueles lugares num shopping numa escola mais consciente de onde vem da desigualdade nossa isso é uma batalha a escola dos meus filhos é uma escola né tem muita gente branca mas tem alunos negros também porque a gente fez um movimento de boa paz de crianças negras de colocarem seus filhos nessa escola é uma escola bast Meu filho tá lindo tá lendo Carolina Maria de Jesus tá é uma escola que tem essa preocupação a impensável na nossa época de ter isso a meu filho tá no oitavo ano lembro Carolina Maria de Jesus gente a a minha filha esse ano tava estudando no carnaval as escolas de samba a escola dela era imperatriz ela era da comissão de frente e ela veio me falando: "Sabia que tem uma comissão de frente que o cara voava no tapete mágico sabia que tem uma comissão de frente que a cabeça caía?" Eu falei ou seja eles passaram as comissões de frentes históricas ensinaram paraas crianças o que que era então ela tá aprendendo só com a cultura do país dela então eu acho isso já um acontecimento sabe bem diferente da minha época eh mas a gente fala com eles e alerta eles o tempo inteiro de falar: "Você não é igual seu amigo meu filho então que tá adolescente" isso é uma batalha porque ele só quer andar com roupa de futebol chinelo e eu falo cara olha só o dia que você passar um constrangimento na rua que você receber um trauma aí passar por um trauma a mamãe tá falando para Mas parece que você tá querendo testar óbvio que tá querendo testar falou: "Cara o dia ele tava andando no condomínio de um amigo eh enfim de bicicleta ele e um outro amigo negro tal segurança parou eles para segurança do condomínio e tal." Eu falei para ele: "Cara quando for na rua vai ser pior" ah é besteira mãe é besteira ele ele ele diz que é besteira mas ele sabe que não é eu acho que ele tá querendo testar sabe eh então é é duro assim porque ao mesmo tempo isso te obriga a tirar a inocência de uma criança que é um direito pleno que a criança tem né da da sua inocência de de ser criança plenamente sem ter que ficar se preocupando com isso mas se eu não alertar pode ser pior a polícia vai alertar a vida a violência urbana então o tempo inteiro inteiro eu vou trazendo o assunto quando vai minha filha sobre o cabelo eu falo: "Não deixa tocar no seu cabelo não deixa se tocar tu pode ó depois eu resolvo com a escola sabe não deixa." E ela fal "Não deixa falar de você se falar ela falou: "Mas não pode rebater" e aí vem a mãe falou: "Cara mas você também imagina pro colega também não pode falar gata e aí como é que vai ficar seus filhos não têm rede social você evita ao máximo projetar postar as imagens deles você não aceita fazer publicidade com família assim com os filhos eh você vê você viu a adolescência tô louca para ver ah liguei pro Lázaro esses dias você viu eu tô 12 dias sem ver o Lázaro né praticamente e aí eu liguei para ele já vi a adolescência ele todos eu: Você não me esperou ele cara eu não te vejo como é que eu vou te esperar não mas eu tô louca para ver é a gente já fez campanha com Lázaro já fez campanha com a minha filha mais nova o meu filho é muito reservado eu acho isso super bonito inclusive ele verbaliza isso para as pessoas que né algum fotógrafo alguma coisa já vi você falando que ele dizia ó eu tô me sentindo exposto gosta e eu acho muito bonito ele ter acho acho poderoso dele sabe falar ó galera não é minha mas enfim a gente tem que criar homens melhores para o mundo isso é uma uma responsabilidade da sociedade como um todo como é que você vê esse lugar da machosfera dessa misogenia enorme como é que você pensa isso tendo um filho homem olha Maria eu vou tentando muito o tempo inteiro mas o mundo o tempo inteiro vai dizendo que a gente tá errado né vai dizendo: "Não não é assim" eu falo: "É assim desse jeito" eh e passa muito por mim também porque de não ficar reproduzindo coisas eu o tempo inteiro eu tô me reeducando o tempo inteiro em alerta às vezes eu falo determinadas coisas e alguém fala: "Não pode mais falar isso" eu falo: "Não burro mas eu adorava falar isso não mas não pode" falar não não pode não pode ok a gente tá em processo de reeducação sabe e com as crianças é o tempo inteiro alertando avisando e o exemplo dentro de casa né quando eu vou falar uma coisa para um que um pode fazer e o outro não pode fazer nunca é porque um é um homem e o outro é uma mulher um menino e uma menina a minha questão lá em casa é diferença de idade falo cara ele já tem quase 14 ele pode você tem 10 não pode tem coisa que não é pra sua idade e não tem coisa que você é menina aí mas aí amor vem minha mãe e solta uma pérola eu falo: "Não vem meu pai e solta outra" eu falo: "Não" é lutar contra todas as forças de todos os lugares mas eles já entendem também porque até quando os meus pais vêm com algo que eles ficam assim eles falam: "Não vovô não é assim o meu filho ri do meu pai porque eles são muito parceiros mas ele fala: "Mãe eu sei eu sei que o vovô tá errado muito bom ou eu sei que a vovó minha filha não minha filha jamais ela é bem combativa as mulheres né então ela ela vai mesmo é e tem uma coisa das mulheres que assim mesmo com tudo mudando e ainda bem né as mulheres principalmente as mulheres ainda crescem com a sociedade incutindo o ideal de casamento dentro da gente né ainda vejo isso um pouco nas novas gerações eu tenho filha também que se identificam com essa narrativa de filmes e séries assim eh qual a importância da gente dizer pras nossas filhas que a gente é o amor da nossa vida ah eu acho fundamental mas eu fui criada meio assim tá a minha mãe criou a gente ela fala: "Você não pode depender de homem nenhum é eu crio vocês para não depender de ninguém de homem nenhum ela" minha mãe criou duas mulheres independentes duas mulheres independentes que casaram tão 60 anos casadas eu tô casada para fazer 21 a minha irmã tá casada minha irmã tá desde os 17 com meu cunhado ela tem 52 sabe acabou que a gente foi em casainha eh apesar de ter uma mãe que para ela o mais importante é que nós fôssemos profissionais e mulheres bem realizadas né sem contra própria vida é eu acho até por causa da vida dela entendeu de sei lá o momento que se separar do meu pai e viu que se separasse e enfim ela foi meio obrigada a ficar numa relação e tal então para ela era fundamental que nós duas fôssemos independentes mas eu falo pra minha minha filha o tempo inteiro é um mantra tipo é você você tem que valorizar quem te valoriza até quando tem alguma amiga que desvaloriza tá falando cara não tem que ir atrás de quem a gente dá valor e eu acho que é é um mantra é um mantra para ela mas quando a gente fala a gente repete pra gente claro claro né porque a gente também tá nessa a gente tá bem no meio dessa geração né aí que sim a gente precisa acreditar na gente a gente precisa acreditar que a gente é o grande amor da nossa vida é aquela história da Sher aquela resposta da Sher maravilhosa né mamãe eu sou o homem rico na minha vida é isso né essa essa resposta é maravilhosa agora você tá casada com Lázaro há quase 20 anos mais de 20 anos vocês estão casados só porque a possibilidade de separar existe só não digo né ajuda a pensar um pouco ou não tipo a gente tem que cuidar a gente tem que querer a tem que querer muito estar junto eu acho no meu caso como é uma relação muito pública você sabe o que eu me pergunto o tempo inteiro se eu tô ali porque eu amo ou se eu tô porque virou quase uma instituição o tempo inteiro me coloco à prova e aí quando você ouve a resposta o que que que diz seu coração cara porque assim ele é a pessoa que eu quero ligar primeiro ele é a pessoa para quem eu quero estar junto ele é a pessoa que eu quero dividir as coisas ele Então faz muito sentido tá ali ainda apesar de tanto tempo é óbvio que a gente tem uma relação muito diferente da relação de quando a gente começou né tem muitas coisas que estão diferentes mas ainda faz muito sentido tá ali mas tem essa força de ter que de dar conta de corresponder aos desejos de um público que transformou vocês num ideal de casal e aí você tenta se livrar de isso ah eu me livro disso o tempo inteiro o tempo inteiro de porque eu acho ah essa coisa do casal perfeito não existe a gente tem problemas como qualquer outro casal lázaro me falou que vocês marcam de transar a gente às vezes marca não sabe o que eu faço semana passada eu fiz isso com e eu já falei com ele eu quero desse período da novela uma vez por mês não vou transar uma vez por mês não tá gente pelo amor de Deus agora 12 dias sem vez já passaram quase meio mês já passou aí é a gente vai para hotel no Rio de Janeiro então tá dando para cumprir tá dando semana passada eu fiz as crianças ficam revoltadas que que não tô entendendo o que que vocês vão para hotel no Rio de Janeiro que que vocês vão fazer né vai fazer o que em hotel gente não interessa mas a gente quando tá quando os dois estão numa pegada muito grande a gente tá assim agora né ele tá fazendo o tour de lançamento do livro dele na nossa pele vai começar a filmar os outros eh eu gravando novela ele chegou no Ele chegou de São Paulo no domingo à noite eu cheguei na segunda de manhã ele tava dormindo eu cheguei no primeiro voo deitei para dormir uma horinha para ir pro trabalho vi quando ele saiu porque na hora que eu deitei do lado dele o telefone dele despertou para ele poder sair ai gente tipo de feitiço de á ele saiu aí hoje ontem eu cheguei ele tava dormindo aí hoje ele falou: "Você vai pr já que horas?" Eu falei: "Tem que estar lá 2:30." Ele: "Eu tenho que estar às três vamos embora junto vou vou voltar pra casa para almoçar" combinei que eu ia voltar pra casa para almoçar não sei se vai dar tempo bom que bom como é que como é que vocês lidam com boatos nós vamosar em casa hoje ah gente vai bate o pé e concretiza tem uns boatos de separação que volta e meia vem né assim hoje gente invejosa também né gente mas mas vem da gente muito da gente quem de mim de Lasa não assim de vocês sim não vejo muito isso não tem assim sei lá tem uns caça cliques tipo se eu falar: "Ai na pandemia não sei quê aí vem" nossa entendi ou então quando eu cito a quando a gente se separou tipo sei lá 16 anos atrás aí fica ali martelando aí pegam essa frase e para caçar clique mas não tem muita fofoca não não aos 46 anos você já sente algum vislumbre de menopausa sinto-o eu acho de vez em nunca tem os calores mas eu sinto muito que eu tenho sentido demais é a pele do não é nem do rosto não que do rosto eu tenho muito bistimulador aqui mas pele é essa né gente muito bicho estimulador mas apesar de também ter bicho emulador na perna mas a eu a pele tá pele tá estranha insônia essas coisas ainda não tenho nada disso mas a mamãe entrou na menopausa 43 uhum mamãe entrou na menopausa muito cedo mais cedo do que eu então e a minha irmã como fezctomia tal não sei quê ela não tem muito e aí eu não sei mas eu devo tá deve estar batendo a minha porta e qual a importância da gente das mulheres estarem falando sobre isso né um assunto que até pouco tempo atrás ninguém discutia né era era ali uma sentença de de morte né falaram podia entrando não fale para o seu marido que você entra na menopausa olha que loucura né eh eu acho muito importante eu acho fundamental porque gente tá na nossa natureza é igual a menina menstruar sabe quando as meninas começaram a menstrar na sala do meu filho falei para ele: "Olha só não é vergonha você só nasceu aqui por causa disso você precisa entender o que que é quando uma menina mistura o que que tá acontecendo por que isso vai acontecer com ela você tem que estar na pauta da casa raro sabe eu sentei pro meu filho e expliquei o que que tava acontecendo com as meninas e qual era o ciclo qual era a preocupação o que que acontecia o que que aquilo desencadeava no quê cara assim é melhor que ele aprenda dentro da minha casa entendeu ensinando que acontece para ele respeitar as meninas para ele entender quando elas estiverem mais nervosas porque a gente fica mais nervosa eh no período prémenstrual explicar porque não dá para ele entrar no mundo como se no mundo não existissem mulheres que menstru que menstruam porque as mulheres menstruam essa é uma realidade sim isso tem que ser um assunto de homem também né também também bem tem depois da novela tem ali dois trabalhos na verdade tem uma série inédita né reencarne da Globo né né do Global Play primeira série de terror do Globo Play filme Dror Monstro do Marco Jorge eh e aí queria que você falasse assim terminar com uma reflexão sua assim vários trabalhos para acontecer 30 anos de carreira 46 de idade prestes a estrear nesse papel icônico que eu tenho certeza que vai ser o maior sucesso eh que recado que você daria pra Thaís criança para Thaol se você pudesse voltar assim acho que é confia no processo processo é o mais importante de tudo acho que eu falaria para mim eu falo meus filhos todo dia não sei se eles entendem mas eu falo: "Confia no processo confia no caminho." Eh e eu peg para mim essa frase confio no processo porque o processo ele faz sentido assim é o processo é o caminho que vai te levar a algum lugar e agora esse caminho tem que ser plantado não é só passear né que eu falei eu não eu não eu sou uma pessoa que vim ao mundo a passeio não vim mesmo trabalha desde os 13 anos né passeio não sei nem o que é isso eh mas o processo ele é muito importante é ele que vai te levar aonde você quer tu já vi a Michele Obama falando uma coisa maravilhosa que ela falava assim: "Pratique quem você quer ser né eu falo isso pro meu filho o tempo inteiro pego pegando frase das pessoas tá gente mas isso é maravilhoso claro a gente a gente não se inspirar pelas pessoas né se você Se eu quero ser uma grande atriz o que que uma grande atriz faz ela estuda ela trabalha ela pratica muito ela observa muito ela vê muitos filmes ela lê ela ela observa observa o mundo eu preciso ter um ter uma ter um um olhar crítico sobre o mundo eh e aí eu falo pro meu filho: "Você gosta de jogar bola você quer ser jogando futebol?" Não mas eu gosto de jogar bola então pratica são os jogador de futebol vai jogar bola agora o jogador joga todo dia meu amor é treina todo dia não vai jogar uma peladinha ali não eu quero ser bom aluno eu falo para minha filha olha só sabe porque eu falo para você estudar todo dia todo dia todo dia todo dia porque quando chegar a prova não vai ser um problema você vai ter o hábito quando você chegar lá no final quando for fazer o seu vestibular o seu Enem você não vai ter aquele volume gigantesco porque você vai ter praticado todo dia então se você quer ser uma boa aluna pratique ser uma boa aluna né se você praticar quem você quer ser pratique quem você quer ser e eu vou pegar várias frases suas agora para enfiar na minha vida são várias fases de frases de efeito eu vou frase da Manuela Dias do Agn Silva do Gilberto tem suas também eu te agradeço muito você praticando quem você é você inspira milhões de mulheres e homens e gente eu te agradeço demais por estar com você eu te admiro muito eu te admiro demais eu queria muito essa conversa com você obrigada obrigada foi lindo obrigada
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